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Mulheres enfrentam desafios em novos papéis no mercado de trabalho

No século XX, as mulheres fizeram uma revolução. No século XXI, a luta continua. As mulheres saíram de casa, foram para o mercado de trabalho, invadiram as universidades, assumiram tarefas que tantos duvidavam que elas seriam capazes de realizar. Além disso, fizeram uma revolução dentro de casa: diminuíram o número de filhos e mudaram radicalmente o papel pré-definido para elas ao longo de séculos. Nada foi fácil, nada foi sem dor ou dúvida.
 
Como está a vida da mulher nos dias de hoje? Que novos desafios elas terão que enfrentar? Que balanço é possível fazer do caminho aberto até agora? A mulher está no mercado de trabalho para quê? Complementar a renda do marido ou fazer carreira?
 
Miriam Leitão conversou com mulheres que fazem parte dessa revolução ainda em andamento: Márcia Cristina Santos da Silva, primeira mestre de obras do Brasil; Pricilla Azevedo, major da Polícia Militar do Rio de Janeiro e primeira mulher a comandar uma Unidade de Polícia Pacificadora; Cláudia Sender, que aos 38 anos assumiu a presidência da TAM; Andréa Muller, estilista que respondeu por várias grifes; e a desembargadora Leila Mariano, primeira mulher a presidir o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
 
Para a mestre de obras Márcia, mandar em homens no canteiro de obras é complicado e desafiador. “A gente encontra ainda preconceito, dentro e fora da construção civil. Ao mesmo tempo a gente exerce um determinado fascínio. Quando passa aquela mulher de capacete branco, com os projetos embaixo do braço, o pessoal olha e diz: ‘Vem vindo a mestre Márcia’”, conta Márcia Cristina dos Santos Silva.
 
A major Pricilla destaca que teve que se convencer que era capaz, porque ia atuar em um território que tinha um histórico de relações complicadas com a Polícia Militar. “Infelizmente as mulheres têm que trabalhar um pouco mais para conseguir provar que são capazes. Se a gente comete um erro, aquele erro se transforma em um monstro. A gente tenta diminuir ao máximo o número de erros através de um esforço pessoal. Ao invés de ter um horário certinho de trabalho, a gente sempre procura trabalhar mais e não dar margem para comentários”, diz.
 
Jovem para o comando da TAM, Claudia diz que o fato de ser mulher tem sido mais comentado do que ter assumido o cargo aos 38 anos. “Eu acredito que a mulher traz uma liderança mais moderna, mais participativa, com mais ideias para a mesa. Vejo muitas empresas que poderiam se beneficiar de um estilo de liderança diferente. A TAM acreditou nisso. Acho que pode ser um caminho para outras mulheres na parte profissional”, ressalta.
 
Andrea tinha uma carreira sólida em várias grifes de moda e conta que foi difícil tomar a decisão de largar tudo e se dedicar aos filhos. “Ao longo do tempo eu percebi que não estava conseguindo conciliar com tranquilidade a minha vida profissional com a familiar. Com dois filhos pequenos - um entrando da adolescência e outro com 5 anos – chegou um momento que eu tive que tomar essa decisão. Acho que não vai ser um tempo definitivo. Eu fiz um movimento inverso: depois de ter trabalhado e batalhado eu fiquei de olho no que eu nunca tive, que era olhar meus filhos com calma, me dedicar um pouco a eles. Eu quero vivenciar um pouco uma coisa que eu não tive, que eu sinto falta”, conta.
 
Primeira mulher a presidir o Tribunal de Justiça do Rio, Leila Mariano conta que o mundo judiciário ainda é muito masculino. “A gente procura pacificar os conflitos, reunir e fazer com que todos andem juntos”, afirma.
 
RENDA X CARREIRA
 
Depois de tantas conquistas, a pergunta que permanece é: a mulher está no mercado para complementar a renda ou para fazer carreira? Para Márcia, ela está, em primeiro lugar, para se realizar. 
 
“Você pode ser casada com uma pessoa que tem uma renda maior que a sua, mas se você não estiver trabalhando naquilo que gosta você não está realizada. Eu já larguei empregos em que eu ganhava muito mais do que estou ganhando hoje, mas eu não era feliz”, conta. A mestre de obras revela que já largou o emprego para ter mais tempo para o companheiro, mas não faria isso novamente: “Esse erro eu não cometeria de novo. No final, eu não fiquei nem com o casamento nem com o emprego. Primeiro eu tenho que estar bem, depois as pessoas que me rodeiam”, revela.
 
Andrea acredita ainda que a mulher que deixa o trabalho para ficar em casa é cobrada pelas outras. “Eu mesmo me cobrei. Eu mesma fiquei aflita com aquela situação. Já existiu muito isso, de olhar de uma forma pejorativa a mulher que não trabalha. Mas não é isso. Se você pega uma profissão e limita nela, você vai ficar com a vida limitada também”, explica.
 
A major Pricilla conta que escolheu a profissão pela carreira. “Se eu fosse pela renda familiar escolheria uma profissão mais tranquila, que eu não ia perder noites na rua”, lembra.
 
“A mulher trabalha mais por uma causa, ela vem todos os dias trabalhar para realizar alguma coisa. Tem um lado de ter a sua independência, mas eu sinto que nós mulheres trabalhamos e fazendo tudo na vida com um objetivo maior. A mulher é mais participativa e tem uma visão mais holística do mundo”, ressalta.
 
*Informações do G1

 
 
 

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